A arte como instrumento de inclusão, expressão e identidade cultural. Essa foi a proposta do projeto “O uso de materiais recicláveis como alternativa estética”, idealizado e executado pela arte educadora, agente cultural e arteterapeuta Cleysla Jara Miranda, na Escola Municipal Rui Barbosa, em Caarapó. Contemplado com recursos da Lei Aldir Blanc, o projeto reuniu durante quatro meses dez alunas dos 5º anos A e B da instituição.
O objetivo foi claro: levar os estudantes a reconhecerem que a arte pode estar em todo lugar – inclusive naquilo que muitas vezes é descartado. Sob a orientação de Cleysla, as alunas criaram obras utilizando tampinhas, garrafas PET, chinelos, galhos, plantas secas, latas e outros objetos reaproveitados, dando origem a composições visuais guiadas por uma forte identidade cultural sul-mato-grossense.
“É importante que os alunos percebam que a arte não é elitista. A arte está em todo lugar e em diversos materiais. Basta criar, recriar e construir. É sobre transformar e se expressar”, explica Cleysla.
A proposta foi desenvolvida com apoio da coordenadora do projeto, Solange da Silva Santos Francisco, e do responsável pela área de marketing digital, Luigi Gustavo Maram Caneppele. Juntos, formaram uma equipe comprometida com educação transformadora, pautada na valorização da cultura regional e na sustentabilidade.
Mais do que ensinar técnicas, Cleysla buscou despertar um novo olhar sobre o mundo e sobre o fazer artístico. Para ela, a arte deve estar presente no cotidiano, não apenas como disciplina escolar, mas como parte da vida.
“Fazer com que a arte deixe de ser uma disciplina do currículo e se torne algo incorporado à vida do sujeito, que o faça buscar a presença da arte como uma necessidade e um prazer, como fruição ou como produção”, destaca a arte educadora.
Além da atuação na Escola Rui Barbosa, Cleysla desenvolve um trabalho contínuo com crianças e adolescentes no Centro de Cultura e Saúde Mental Soneto, onde coordena o Ateliê Dalí. Lá, atende alunos com transtornos do neurodesenvolvimento, como TDAH, Transtorno do Espectro Autista (TEA), transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e deficiência intelectual, utilizando a arte como ferramenta terapêutica, de escuta e acolhimento.
“Trabalho com a arte e a arte é o que respiro todos os dias. Fico muito grata por poder divulgar esse projeto, que é uma pequena amostra de tudo que a arte pode transformar”, finaliza Cleysla.
O projeto reafirma o poder da arte como elemento educacional, social e terapêutico, ao mesmo tempo em que valoriza a cultura local e a sustentabilidade como pilares da formação cidadã.



